Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Sei não...


No início, tudo ia bem. Dilma começava seu governo com boa popularidade, cacife político da vitória recente ainda restante e aprovação da opinião pública com relação a seu estilo menos espalhafatoso do que o do seu antecessor.
Eis que descobre-se que Antonio Palocci, o ministro mais importante do governo, enriqueceu demais e muito rápido. Tinha sido dada a largada para uma sucessão de escândalos. Era o inferno astral de Dilma começando.
Depois de semanas de crise política, Palocci caiu e um novo núcleo de poder, composto por três mulheres, Gleisi Hoffmann, Ideli Salvatti e a própria Presidente, tomava conta do Planalto.
Quando se pensava que as coisas iriam se acalmar, surgem as denúncias sobre as falcatruas no Ministério do Transportes, Dilma abandona seu aliado PR, detentor do ministério, à deriva e a crise que ia se encerrando retoma sua força.
A Presidente ensaiou uma nova aproximação com a opinião pública tentando dar viés moralizante às suas ações no caso dos Transportes. Seria uma mandatária que faz “faxina”.
Acontece que a medida moralizante logo ficou desmoralizada. Novas denúncias surgiram, desta vez no Ministério da Agricultura, e Dilma não foi tão rígida. A opinião pública percebeu que “faxinar” o PR era uma coisa, enquanto “faxinar” o PMDB seria outra coisa.
A crise então continuou a todo vapor e, embora o caso do Ministério da Agricultura nem tivesse ainda se desenvolvido completamente, já surgem agora problemas sérios no Ministério do Turismo, outro reduto peemedebista, inclusive com a prisão do secretário-executivo, segundo homem mais importante da pasta.
Está cada vez mais reforçada a impressão de que um mar de lama corre pelos subterrâneos de Brasília neste governo Dilma, com nascentes e afluentes vindo do governo Lula.
Se Dilma não “faxinar” os ministérios peemedebistas irá encerrar no nascedouro o projeto de se apresentar como líder moralizante. Ao mesmo tempo, se “faxinar” perderá muito da tal “governabilidade”.
A triste conclusão a que se chega é a de que, atualmente, as alianças que governam o país são feitas totalmente com base no fisiologismo, se desmontando caso apenas os éticos possam ser mantidos no governo.
Como as falcatruas atingem toda a base aliada, Dilma ficará sem apoios se decidir realmente moralizar o governo.
Talvez ela decida por esse caminho e se contente em ter um mandato.

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