Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

PENSE NISSO!





A situação política do Brasil de hoje mostra muito bem que toda essa celeuma de direita versus esquerda é apenas isso: conversa fiada.
Em qualquer país com uma oposição minimamente ativa, as revelações de toda a podridão que vem sendo acobertada pelo atual governo serviriam como combustível para uma campanha ativa e constante visando seu impedimento ou, pelo menos, o seu descrédito junto à opinião pública.
Mas, aqui o que ocorre é uma apatia inexplicável da oposição e até declarações de amor e de apoio dos políticos dessa “suposta oposição” a presidente no poder e eleita pela coligação “rival”.
Para minha modesta percepção e ainda levando-se em conta o desempenho dos políticos ligados aos partidos da oposição e da situação; pode ser notado o fato de que há uma verdadeira conspiração sendo tramada contra o povo brasileiro e contra nossa nação nos bastidores da política federal.
Exagero?
Analise alguns poucos fatos e tire, você mesmo, a sua conclusão:
A questão da qualidade da educação no Brasil está muito mais do que colocada em pratos limpos. Ela foi radiografada e exposta com uma clareza tal que não sobram mais quaisquer dúvidas a respeito dos problemas encontrados e das soluções possíveis.
Mas, o que fazem governo e oposição? O primeiro retira o Brasil das competições internacionais e foca apenas em olimpíadas locais onde a mediocridade é comparada à mediocridade. Com isso, forjam-se resultados “animadores”, enquanto a verdadeira face de nossa educação é cada vez mais terrível e excludente. Avaliação após avaliação, desconsiderando-se os critérios da aprovação automática (criado para elevar os índices de aprendizado e mascarar os péssimos resultados alcançados) o resultado efetivo das escolas é a formação de uma legião de analfabetos funcionais e adultos incapazes de compreender e executar operações básicas da matemática.
Sabedores disso, políticos da oposição ao contrário de primarem pela excelência acadêmica; favorecer o mérito dos estudantes ou criar meios de refletir brilhantes resultados sobre o obscurantismo da ignorância ofertado pelo governo; atuam exatamente da mesma forma. Alguns políticos “opositores” anunciam que reduzirão a carga horária das aulas de português e matemática nas escolas públicas. Sem sombra de dúvidas, o quadro que hoje é dantesco tenderá apenas a piorar ainda mais.
Qual o objetivo desse raciocínio? Por que, ao invés de atuar de forma diametralmente oposta, os políticos de oposição praticam as mesmas barbaridades e cometem os mesmos erros?
A chave desse mistério está na fala da secretária do MEC (Ministério da Educação e Cultura) em resposta a pergunta: “Por que não se volta a ensinar Ética, Moral e Cívica ou Organização Política nas escolas”? – Sua resposta – “Porque isso é coisa de ditadura”.
Essa resposta encerra o pensamento de todos os políticos de hoje: ensinar ao povo (em especial aos menos favorecidos) as formas de funcionamento dos diversos agentes políticos, as necessidades de cada poder republicano, as formas de exercer a cidadania, o comportamento ético adequado, os instrumentos disponíveis para o cidadão fazer valer a sua voz e fiscalizar os políticos, a ponderação necessária ao escolher um candidato a um cargo eletivo e tido mais que gira em torno da organização social e política de uma nação é coisa “dispensável” por ser “maldita”.
Assim, desde a tenra idade escolar, o cidadão brasileiro é mantido no obscurantismo e na ignorância. Tratado como débil mental, eterno carente e um ser incapaz de elevar-se social e economicamente sem o auxílio paternalista do Estado.
Quanto mais ignorante e incapaz de detectar as oportunidades que o mundo oferece, mais dependente das esmolas criadas pelo Estado e mais suscetível aos ”salvadores da pátria” ávidos por enganá-los enquanto engorda as próprias contas secretas.
Sem uma formação de qualidade e sem escolas capazes de criar mentes inquisitivas e dotadas da capacidade de interpretar as entrelinhas dos discursos mirabolantes e cheios de promessas vazias ou sem sentido; o brasileiro jamais amadurecerá como nação e continuará sendo um refém nas mãos de espertalhões e malandros de ocasião.
Oposição e situação se unem como ratos para devorar os cérebros e as almas dos brasileiros desde a mais tenra idade e para transformar nossa nação num lugar de sofredores e patéticos reféns da “caridade” das elites partidárias.
Infelizmente, a única forma de libertar-se dessa conspiração é rebelar-se contra ela através da compreensão de sua existência e da revelação de seus objetivos. Isso reside no cerne de nosso próprio povo e de alguns elementos que consigam mobilizar as massas e anular os ensinamentos de décadas que nos condenaram ao imobilismo ao conformismo e a apatia.
Somente o brasileiro pode libertar o brasileiro.
E é aí que está o problema.
Pense nisso.

PARTIDO SÓ DEFUNTO



Dia (27/09) os cidadãos pensantes do país se viram diante de um fato estarrecedor: O TSE aprovou o registro do novo partido capitaneado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD.
Você pode estranhar a minha declaração; afinal de contas, vivemos em um ambiente democrático que permite a livre associação e o pluripartidarismo. Nada mais normal do que políticos fundarem um novo partido.
Mas, isso é um erro tão comum quanto acreditar que a simples realização de eleições caracteriza uma democracia. A premissa básica para um governo ser chamado de democrático é a garantia da igualdade de condições do cidadão perante o Estado. Isso quer dizer que numa democracia o cidadão é protegido dos abusos do Estado por um arcabouço de leis e instituições que intervirão em seu socorro ou garantirão a punição em caso de abusos.
E é justamente aí que entra o Judiciário. É este o maior aparato de proteção democrática que um cidadão pode ter. É no seio do Judiciário que o cidadão busca consolo e defesa contra a sanha do estado e seus efeitos maléficos em sua vida.
E qual é o papel do Judiciário especializado em vigiar e punir os abusos cometidos pelo estado ou por agentes dele na área eleitoral? Muito simples: proteger o eleitorado do mau uso dos dispositivos legais e do abuso do poderio econômico ou político em benefício de grupos políticos ou do próprio Estado. Foi justamente aí que o TSE – Tribunal Superior Eleitoral – falhou ao referendar a criação do PSD de Kassab.
O fracasso do TSE em desempenhar o seu papel de instituição protetora do eleitorado se deve ao simples fato de referendar a criação de um partido que já nasce mergulhado na corrupção e em irregularidades mil; violando a legislação eleitoral e fazendo uso de subterfúgios e de “expedientes sujos” para garantir sua criação, fundamentação e registro.
Afinal, referendar o registro de um partido que nasce envolto em toda sorte de denúncias (banhadas em provas) de irregularidades é coroar o jeito sujo de fazer política e garantir a continuação das práticas nefastas que tanto desejamos ver banidas da vida política nacional.
Para se fundar um partido é necessário reunir um número mínimo determinado de assinaturas em vários estados da União. Foi provado que em quase todos os estados em que o PSD atingiu essa cota mínima de assinaturas; estas contiveram um número significativo de assinaturas irregulares (pessoas mortas, analfabetos, assinaturas falsas, pessoas que jamais souberam que assinaram o manifesto de fundação, etc…).
Portanto, referendar a fundação do PSD mostra como ainda é arcaica e provinciana a visão do Judiciário (em especial do TSE) no cumprimento do seu dever primaz de proteger a sociedade dos abusos de grupos políticos. A leniência com corruptos notórios, a lentidão crônica, a benevolência excessiva e a quase cumplicidade com as práticas espúrias de uma parcela gigantesca da classe política brasileira apenas premia a contravenção, o abuso e o desrespeito às leis e ao eleitor; criando um ambiente extremamente favorável ao jogo sujo e a desconfiança da população em relação a essas instituições.
Assim, nasce o PSD que ficará conhecido como o Partido Só Defunto, pois tem em suas fileiras um número enorme de filiados defuntos numa verdadeira prova de que há vida após a morte ou de que, pelo menos, zumbis adoram uma boquinha num cargo público.
E você; o que pensa disso?