Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Heroína?



Oposição aberta ao governo sem notáveis retaliações é um dos principais indicativos de democracia em um país; e isso poucos podem questionar. Em verdadeiras ditaduras, como a que existiu no Brasil, opositores eram torturados e mortos, ou, de alguma forma, silenciados pelos que estavam no poder. Não estou aqui negando que tais crimes tenham acontecido ou ainda acontecem em Cuba, estou apenas chamando a atenção para o caso de Yoani Sánchez - a blogueira cubana sensação do momento. Alguém pode dizer "Mas ela sofreu retaliações bem notáveis: Impediram-na de sair da ilha quando assim desejou, espancaram-na, impedem que suas ideias sejam veiculadas em seu próprio país..." Quem faz destas palavras as suas é tão sensacionalista quanto a blogueira. Avaliemos:


1) Em 2002 ela emigrou para a Suíça, onde morou por dois anos, até decidir-se, por livre e espontânea vontade, retornar ao seu país natal. Recentemente, o mundo testemunhou que ela foi impedida de sair novamente, mas hoje está no Brasil e vai viajar por inúmeros outros países defendendo suas bandeiras de luta.

2) A blogueira diz ter registros fotográficos das agressões que afirma ter sofrido por parte de agentes do governo em 2009. Ao ser entrevistada por um jornalista francês ela diz que guarda as imagens em segredo e que no tempo certo as apresentará à justiça. Perguntas: Apresentará à justiça de Cuba? Ela não defende que todos os poderes são controlados pelo governo? À justiça de Cuba lhe daria ouvidos então? Provar ao mundo que está falando a verdade não lhe daria mais credibilidade? Ou será que ela apenas aguarda que uma foto de seu rosto em estado normal seja manipulada pelos profissionais que dizem ter ido à lua?

3) Suas ideias podem até não serem veiculadas na TV aberta de Cuba, mas seu blog pode ser acessado de qualquer computador em qualquer parte do país - o próprio jornalista que a entrevistou questionou-a sobre isso, ela respondeu dizendo que a maior parte do tempo ele fica bloqueado, o que já não dá mais crédito para ela dizer que os cubanos não podem ouvi-la.

Yoani vive criticando o sistema político de seus país, o socialismo, mas consegue viver o capitalismo em plena "ditadura" dita comunista. Como isso seria possível? Sim, porque ela nega ser financiada por qualquer potência econômica capitalista e diz que os cubanos padecem por falta de dinheiro. Mas como ela, vivendo em Cuba, consegue dinheiro para viajar pelo mundo e fazer "otras cositas más"? Não era para o governo confiscar seus ganhos excedentes ao da maioria de seus compatriotas? Porque é essa a ideia que a imprensa internacional passa sobre Cuba, não é mesmo?

Yoani Sánchez está errada no conceito porque não é aqui fora que ela tem que erguer sua bandeira de luta. Se ela quer que alguma coisa mude lá dentro ela tem que agir lá dentro. O mundo aqui fora já aplicou todas as sanções que podia aplicar a Cuba, já fez todas as pressões que teve vontade de fazer, já criou mentiras suficientes para convencer a parte manipulável das pessoas nos mais diversos países... O mundo aqui fora já desenhou Cuba e Yoani Sánchez não é a primeira cubana que se diz reprimida e vítima da ditadura comunista cruel que dizem existir por lá. Tudo o que ela disser contra Cuba nos países capitalistas será integralmente apoiado pelos governos destes, será elogiado pela imprensa, terá reconhecimento pelas instituições e ela vai ser pintada de heroína, mas de que forma isso vai mudar alguma coisa lá dentro? Depois do embargo econômico só mesmo uma intervenção militar poderia ser pior. Será que é isto que a nobre blogueira propõe? Acho que não. A blogueira se diz uma pessoa da paz.

Para ser coerente a nobre blogueira precisa voltar ao seu país e convocar seus irmãos à luta. Este sim deveria ser seu foco - Cuba só poderá ser mudada quando os cubanos assim a quiserem. E não é publicando textos de uma sala com ar condicionado em Havana que ela vai obter resultados, tem que sair às ruas, tem que ir para o corpo a corpo, se exemplar nos mártires de outras ditaduras, nos egípcios que derrubaram Mubarak, nos líbios que derrubaram Kadafi. Mas Yoani Sánchez não me parece o tipo que daria a vida por uma causa. Nem me parece o tipo ingênua: ela sabe que não teria a apoio dos irmãos cubanos. Então que venham os prêmios, as honrarias, as homenagens... Menos a luta digna e a convocação para ser uma heroína de verdade.

Podemos dizer sem medo de errar que a democracia brasileira é jovem. Mesmo sem levar em conta os quase 390 anos de submissão a um império estrangeiro (Portugal) e de regime monárquico; a vivência do cidadão brasileiro com um regime republicano democrático teve ainda o azar de ser interrompida, por mais de vinte anos, por uma ditadura militar.
Combinados a esses fatores históricos, temos um caldo criado cuidadosamente pelos artífices da ditadura temperado com enormes doses de alienação, desinteresse e de conivência do eleitorado com as más práticas políticas. Não menos importante, as lideranças políticas surgidas pós redemocratização, preferiram manter e aprofundar essa receita perniciosa; incrementando aquele caldo destruindo o sistema educacional e criando um arcabouço legal anacrônico, mal elaborado e totalmente feito sob medida para dificultar a vida dos bons; facilitando e protegendo os maus políticos.
Assim sendo, mesmo com o peso enorme que a ditadura teve nesse estado de coisas, a redemocratização trouxe muito pouco alento aos que esperavam melhores condições de exercitar a vida política e fomentar a presença de estadistas em nossos quadros partidários.
Como representantes de uma sociedade corrupta ou que tolera enormemente a corrupção, os partidos políticos brasileiros são a encarnação desse terrível mal que atravanca a evolução de nosso país e tem como responsabilidade maior o morticínio e a escravidão dos mais necessitados a toda sorte de práticas criminosas pelos organismos políticos.
O julgamento do Mensalão do PT e a condenação de alguns de seus principais atores expôs com clareza estarrecedora como os partidos políticos brasileiros se converteram em verdadeiras organizações criminosas montadas exclusivamente com o intuito de roubar o contribuinte e garantir aos seus membros a maior permanência possível no poder, como forma de perpetuar suas práticas quadrilheiras e assegurar o acesso de seus filiados as benesses do Tesouro Nacional.
Muitos clamam por uma reforma política que seja capaz de minimizar esse estado de coisas e organizar, de forma mais civilizada, a maneira como os partidos políticos são criados e exercem as suas funções em nossa democracia. Mas, como esperar que a tal reforma venha realmente mudar algo, quando sabemos que tais modificações deverão ser propostas pela mesma escória mafiosa que aí está?
A recente exposição do PT, apanhado de calças arriadas, enquanto montava seu esquema fraudulento (logo depois do PSDB e seguido pelo DEM) parecia trazer uma luz para a escuridão que cerca a vida política nacional e refrear a falta de vergonha na cara que se espalhou pela classe política nacional.
Mas, se imaginarmos que o mesmo partido apanhado e exposto em pleno ato criminoso, continua praticando exatamente as mesmas falcatruas e deslizes éticos Brasil a fora, sem se preocupar sequer em fazê-lo “embaixo dos panos” ou mudar o enredo do golpe, podemos perceber tristemente que nenhuma mudança (para a melhor) pode advir dos elementos que aí estão.
Se mesmo diante dos holofotes e de toda a cobertura da imprensa, dispensada ao caso do Mensalão, a sanha dessa corja não foi detida; como imaginar que simples alterações nas leis (ainda mais propostas e implementadas por eles) poderão ter algum valor?
Os partidos políticos brasileiros se converteram em verdadeiras organizações criminosas capazes de pensar apenas em si próprios. Preocupam-se apenas em assegurar sua cota do Fundo Partidário, eleger candidatos de forma aleatória e sem qualquer controle ético, moral e criminal entregam suas legendas para qualquer crápula disposto a usufruir dela. Preocupados apenas em garantir a permanência no poder ou garantir que isso seja convertido em arrecadação de fortunas, visando assegurar benefícios futuros aos seus dirigentes.
Uma verdadeira reforma política só poderia ser chamada assim se levasse em consideração a responsabilidade do partido na escolha daqueles para quem cede sua legenda. Eliminando os partidos de aluguel; garantindo que o partido seja corresponsável pelos crimes cometidos por seus integrantes e assegurando que, em caso de improbidade administrativa ou qualquer uso lesivo do dinheiro público, o partido seja igualmente responsável em indenizar o erário e o povo brasileiro.