Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Agradecimentos especiais

http://noturnopoetico.blogspot.com.br/ Obrigada  pela linda poesia a mim dedicada!

Pizza cara se vende em Brasília




Dizem que em São Paulo as pizzas são baratas porque há praticamente uma pizzaria em cada esquina. Aqui em Palmas os preços estão caindo, mas a profusão de pizzarias ainda tem que melhorar para forçar uma maior concorrência.

Já lá em Brasília a coisa parece não andar muito bem para os apreciadores desse prato italiano delicioso. Dizem que, por lá, as pizzas são indigestas e custam mais caro do que em qualquer outra parte do país.

De repente esse disse-me-disse pode ter se originado na atuação do governo federal que busca ativamente transformar em pizza, o mais rápido possível, o resultado da CPI do Cachoeira. Depois de converter em um dos maiores fiascos políticos de Lula o apoio à convocação da CPI, o PT e a base aliada claramente firmam acordos para conduzir a CPI a um resultado digno de um pizzaiolo maquiavélico.

A coisa é tão óbvia que eles sequer tentam disfarçar a famosa regra do “toma lá, dá cá” que rege a lealdade da tal “base aliada” e, em especial, do PMDB. No mesmo dia em que foram firmados os acordos necessários para evitar a convocação dos três governadores envolvidos no caso Cachoeira – Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) – o governo “resolveu” liberar milhões em verbas para emendas de parlamentares ligados ao PMDB e para alguns envolvidos no próprio esquema investigado pela CPI.

Fica, pois, cada vez mais cristalina a disposição de não se investigar absolutamente nada e de fazer apenas um pequeno “show de mídia”, enquanto se corre por baixo dos panos para apagar os rastros e eliminar qualquer traço que possa levar a alta cúpula dos partidos políticos e, notadamente, do PT.

O uso dos serviços do ex-ministro da justiça Thomaz Bastos, remunerados ao preço de 15 milhões de reais, a “doação” milionária feita por Carlinhos Cachoeira à campanha de Dilma e a contratação, como “consultor” pela Delta, de José Dirceu (sempre ele) nos fazem pensar nas tramas e nas armações que essa corja deve estar realizando para evitar que seu envolvimento apareça ao “grande público” e exponha a real condição de ladrões descarados dos “pais dos pobres”. A atuação de Bastos já dispara boatos nas redes sociais de que seria bancada financeiramente pelo próprio Partido dos Trabalhadores como forma de garantir a Cachoeira à impunidade total ou, no caso de grande comoção popular, uma pequena pena repleta de regalias. Tudo isso como forma de assegurar que o bicheiro se mantenha calado e não revele as milhares de horas de conversas gravadas e arquivos de vídeo que permanecem em seu poder e provam, sem qualquer sombra de dúvida, as suas ligações com altas figuras da política nacional e do governo federal.

Seja lá como for, a grande verdade é que a CPI do Cachoeira vai custar muito caro aos cofres públicos e servirá muito pouco para esclarecer como um simples bicheiro de Goiás conseguiu se tornar um dos maiores corruptores do país, mantendo braços atuantes em praticamente todas as instituições da República.

Alienação


Enquanto as atenções da mídia voam entre a farsa da CPI do Cachoeira e a luta do PT para abafar o julgamento do Mensalão; a massa alienada só quer saber de detalhes da recuperação do cantor sertanejo, do roubo das fotos de Carolina Dieckmann e da entrevista da Xuxa. A “Grande Imprensa” garante o preenchimento da telinha no horário nobre com tudo; menos com o que realmente interessa.

Enquanto se perde tempo e se foca a atenção no circo armado pelos próprios acusados e cúmplices para evitar a divulgação de mais envolvidos e a realização de investigações mais aprofundadas do mais novo escândalo da República; a corja de ladrões que enche o Congresso Nacional trabalha celeremente para solapar a Lei da Ficha Limpa e poder roubar sem ser incomodada por essa gente chata que pensa ser a política um lugar que deve ser reservado apenas para gente honesta.

Aproveitando o “spray” da Cachoeira e a nebulosidade natural que ele provoca, o deputado Roberto Balestra (PP-GO – Será Partido da Propina do Estado da Cachoeira?) entra com um “projeto relâmpago e secreto (sequer foi listado na ordem do dia). É o projeto 3839/2012 que visa reduzir o alcance da Lei da Ficha Limpa ao determinar que a certidão de quitação eleitoral será dada aos candidatos que apresentarem à Justiça Eleitoral a prestação de contas da campanha anterior, conforme determina a lei, “ainda que as contas sejam desaprovadas”. Ou seja, mesmo que o ladr… digo, candidato não tenha apresentado suas contas da campanha anterior dentro “dos conformes” ele poderá concorrer às novas eleições mesmo com as conta reprovadas.

E a coisa não para por aí. Os caras querem aprovar o projeto, agora no Senado, a “toque de caixa”. Sem qualquer debate e, de preferência, sem que seja levado ao conhecimento do público. A pressa visa fazê-lo valer ainda para as eleições deste ano. Como a medida os favorece, a cúpula mafiosa de Brasília alega que não há necessidade de se ater ao princípio da anualidade (a lei só valeria a partir do próximo ano). Fato este, aliás, defendido por eles, com unhas e dentes, quando da aprovação da Lei da Ficha Limpa.

O detalhe fundamental é que sequer houve debate na Câmara. A votação foi na base do “Tiro Certo” e quase todos os partidos concordaram (o único a dizer “não” para essa imoralidade foi o PSOL). O projeto é uma demanda dos partidos que, liderados pelo PT, já vinham tentando derrubar esse ponto da lei no STF. Assim, visando burlar a inevitável lentidão do tribunal, “Vs. Excrescências” resolveram “sujas as mãos” (mais ainda) e tomar as rédeas da cafajestagem eles mesmos.

Enquanto isso vamos bater palmas para o circo da CPI, chorar com as revelações tardias da Xuxa, rir de felicidade com a recuperação do sertanejo e criticar os hackers que meteram Carolina Dieckmann nessa confusão. Afinal, vem aí a Copa do Mundo, as Olimpíadas e o Brasileirão só está começando. Isso é claro, sem falar no drama envolvendo a Carminha, o Jorginho e a Nina e a estreia de Carrossel.

Para que se preocupar com os ladrões e mafiosos de sempre? Vamos reelegê-los mesmo. Ou você acha que vamos perder a doce oportunidade de manifestar nossa indignação, com a roubalheira generalizada, na mesa do bar nos dias sem futebol?