Trago comigo as dores de uma paisagem com definições abstratas. Procuro experimentar diariamente a vida.
Pensei que colocar os sentidos a prova e absorver cada sensação proporcionada, talvez seja a única forma de ter certeza de que nossa existência é real.
Desmedida das minhas virtudes calmantes eu escrevi silêncios, noites, anotei o inexprimível. Fiquei com as canetas do sangue vertido e pulei no oásis por mim concebido.
Criei todas as festas, todos os triunfos, todos os dramas. Fiz comédia com meu vulto despercebido e tentei inventar novas flores, novos astros, novos idiomas. Tornei-me uma poliglota das sensações sem pátria.
Criei meu relicário para depositar a minha personalidade triste. Meu olhar perdido em contraste com minha boca sorridente.
Fiz peças de ouro amarelo e espalhei seu plano sobre a ametista. Do mogno nobre do meu peito retirei as lascas que como farpas perfuravam minha razão e sustentando uma cúpula de esmeraldas abracei solitária o meu castelo sonhado. A piscina dos lamentos ganhou o cheiro das rosas e da fantasia, me senti pura outra vez.
Banhei-me na confusão profunda e lancei âncora no mar doce, pois o sal das suas lágrimas deixou há muito de existir. Hoje celebra as correntes que dão ao infinito oceano o sabor de um licor envelhecido pela experiência de cada frase pendurada no batente da vida.
Cansada de tentar me compreender, e mais cansada ainda de tentar fugir de mim, resolvi explicar meus sofismas mágicos pela alucinação das palavras e acabei por considerar sagrada a desordem da minha inteligência. Abracei a arrogância para me defender da maldade do mundo.
Jamais a esperança parou num ponto sem movimento. A ciência da minha ignorância foi a paciência do suplício lento. Espero pela vinda da manhã, mesmo que a ardência dos meus dias surja queimada pelas brasas que não são vãs, e o ardor encontre a eternidade no mar misturada com os brilhos do sol que amarram as lembranças para que nunca mais deixem de brilhar e permaneçam vivas como substâncias do meu amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário