Você que tem todas as condições intelectuais de questionar o óbvio, de construir um raciocínio consistente e firmar uma via própria de pensamento, mas não o faz, é o alienado da história. É assustador diagnosticar a quantidade gigantesca destas pessoas que não têm consciência da importância da individualidade própria e ao mesmo tempo ignoram a existência da de outrem. Estes reprodutores de opinião, tentam, a todo o momento, imputar ao outro o pensamento previamente forçado a eles; e, caso falhem, rotulam o outro de alienado. Estão em um patamar abaixo dos que não têm a capacidade mínima de resistir aos candidatos e seus asseclas com suas imputações rocambolescas de futuro ideal. Estes, não têm culpa alguma de sua alienação são, usando de uma metáfora conveniente, crianças inocentes que aceitam balas de estranhos.
Não se trata aqui, de tentar encontrar um posicionamento político ideal para o país, e sim demonstrar que esse suposto posicionamento ideal é na verdade a média da soma de todos eles. Há de se respeitar os anseios dos outros, justo porque não sabemos qual a dimensão real dos problemas deles. Simplesmente considerar que seu modelo de mundo faz sentido ao seu próximo, mesmo que ele discorde nada mais é do que uma tentativa torpe de aliená-lo.
Não vivemos em uma sociedade livre de preconceitos, muito pelo contrário. Vivemos em uma sociedade onde os vários andares de nossa pirâmide social oprimem os que estão abaixo dele; uma sociedade onde um tipo de crença parece ignorar as outras, e pior, parecem não conceber que a sociedade, na verdade, é laica; uma sociedade onde quem diz ser censurado censura. Existe em nosso meio um repúdio ao outro tão extremado que nem sequer nos lembramos de nos questionar o porquê de repudiarmos. Talvez, se fizéssemos esse exercício simples de reflexão, teríamos a exata noção de quem são os alienantes e os alienados.
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