Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

TROTES CRIMINOSOS

Um trote de alunos da Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade de Brasília (UnB) virou alvo de representação da Secretaria de Políticas para as Mulheres encaminhada ao Ministério Público Federal e à reitoria da universidade. A secretaria pediu esclarecimentos à UnB sobre o ato de calouras no dia 11 deste mês, quando elas participaram de trote lambendo linguiça com leite condensado na frente de veteranos.
Para o reitor José Geraldo de Sousa Junior, as fotografias batidas durante o evento mostram ações que "violam a ética da convivência comunitária". O trote também foi condenado pelo diretor da faculdade, Cícero Lopes. Segundo a assessoria da UnB, a representação foi feita a partir de denúncia à ouvidoria da secretaria.


Quem passa no vestibular já sabe que provavelmente passará por alguma brincadeira, seja ela com a própria família ou com os novos colegas da universidade. Muitas brincadeiras tornaram-se tradicionais a muitos calouros ao ingressarem em uma universidade que são chamados de trotes universitários.
O trote universitário ou estudantil é como uma cerimônia de passagem obrigatória para festejar a aprovação no vestibular, realizada pelos veteranos. Isso com o objetivo de haver interação entre todos os universitários. Os trotes mais corriqueiros são de raspar a cabeça, pintar os corpos e roupas com o nome da universidade ou do curso que passou como também rasgar roupas, pedir dinheiro no cruzamento da cidade até atingir o valor estipulado pelos veteranos. O problema é que cada vez mais veteranos incluem nos trotes universitários bebidas alcoólicas, produtos químicos e até mesmo drogas. Fazendo que uma “brincadeira” se torne até mesmo um crime.
trote universitario

As histórias dos trotes universitários violentos no Brasil possui vários capítulos trágicos, só este ano já foram registrado três casos. Um, foi o calouro de geografia, de apenas 17 anos, foi encontrado desmaiado no campus da UFPR (Universidade Federal do Paraná) depois de ser obrigado a engolir grande quantidade de álcool. O estudante geografia ficou em coma alcoólico por mais de 20 horas. O segundo foi em Fernandópolis da Unicastelo (Universidade Camilo Castelo Branco), na qual os veteranos obrigaram um calouro de 18 anos a pedir dinheiro, tomar álcool combustível, fumar e ainda rasgaram toda sua roupa. Já o terceiro caso aconteceu na Escola Superior de Propaganda e Marketing em São Paulo (ESPM), onde o primeiro dia de aula ficou marcado por uma briga entre dois calouros que deixou um com o nariz e os dentes quebrados.
Mas um caso que chocou o país e marcou um inicio de uma grande discussão dos trotes universitários foi o que aconteceu na Universidade de São Paulo  11 anos atrás. No 1º dia de aula um grupo de calouros foi submetido a diversas humilhações. Alguns tiveram as mãos amarradas, corpos pintados com tintas e depois atirados em uma piscina. Entre eles estava um rapaz de 22 anos que não sabia nadar e acabou morrendo afogado. Além do trágico fim de um sonho de um rapaz, até hoje os acusados não foram punidos.
trote solidariosA partir de então as universidades começaram a reagir e tem se mostrado preocupadas em extinguir tais práticas. Através de campanhas de conscientização, incentivo aos chamados trotes cidadãos ou trotes solidários, como também muitas universidades têm criado centrais de atendimento que recebem denúncias de casos de abuso. Como pro exemplo é caso da USP que implantou o Disque Trote (            0800 012 10 90      ).
Mas a prática do trote universitário não é exclusividade do Brasil. O Brasil apenas copiou! Pois tais “brincadeiras” (chegam ser mais abusos mesmo) surgiram em universidades européias para distinguir alunos novatos dos antigos, que eram considerados inferiores dos que já estavam prestes a se formarem. O primeiro caso de violência surgiu na Alemanha, onde os novos estudantes foram obrigados a beber vinho com urina e comer alimentos misturados com fezes.
Portanto, devido a inúmeros casos trágicos de trotes universitários, espera-se que as universidades sejam mais rigorosas com tais práticas, havendo punição severa para quem cometer práticas de violências, abusos e maldades a tais calouros. Caso contrário, isso não terá fim.

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