Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

CRIME DE FALSIDADE IDEOLÓGICA

Só nós cidadãos nos damos algo na área pública. Tudo nasce de nosso dinheiro de impostos, contribuições e taxas. Os governos só se sustentam com pré-pagamento do cidadão. Pagamento sempre antecipado e em confiança.

 Os donos do dinheiro e das coisas públicas somos nós. Nem sempre entregamos a bons tesoureiros nossos parcos recursos. Vários governantes não têm primado pela eficiência administrativa, nem pela honestidade e nem pela distribuição equitativa dos benefícios públicos. Pior, alguns que escolhemos para serem fiscais no legislativo ou que ocupam cargos no judiciário e ministério público para manterem o estado de direito, têm, por vezes, se esmerado em descumprir seus deveres.

A regra mãe está na Constituição: o poder é do cidadão que deve exercê-lo diretamente, invocada a democracia participativa ou através de seus representantes eleitos, a democracia representativa. Criticamos, muitas vezes, com excesso de razão, os governantes e seus pretendentes sem fazer ligação com nossa responsabilidade direta em sua escolha e em suas ações.

 Ao não propor nem controlar os governantes facilitamos que se digam e ajam como donos do poder absoluto .Vão jactar-se de serem bonzinhos e que dão “de graça” para nós súditos: saúde, educação, segurança, lazer e tudo que só é nosso, de direito.

Fico estarrecida e indignada que tenhamos que ouvir de quem nos governa  que muito fez, faz ou fará para nós  gratuitamente, sem paga, sem recompensa, por absoluto favor! Ou, permitir que assim o digam, em seu nome!

A área da saúde, vítima de sub-financiamento pela esfera federal e estadual e, por vezes, de má gestão nas três esferas de governo, de repente, é cantada em prosa e verso como se dados “de graça” aos cidadãos: hospitais, ambulatórios, postos de saúde, consultas básicas e de especialistas, exames de toda natureza. Dois argumentos são invocados: “fiz isto por vocês porque sou bonzinho, um político do bem” ou “fiz de graça o que os outros não fizeram quando ocuparam o poder”.

Dizer ou permitir que digam que ações dos governantes transitórios da coisa pública são por eles realizadas “de graça” é crime de falsidade ideológica.

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