Marina Silva abandonou o PT, seu histórico e seus companheiros de outrora para investir em um projeto pessoal de candidatura à presidência. Para isso, filiou-se na legenda de aluguel mais adequada ao seu discurso ecologicamente correto. Em campanha se apresentou como a terceira via. Colocou os governos de FHC e Lula no mesmo pacote como uma crítica isenta, como se fosse uma extraterreste que acabava de chegar, esquecendo que foi ministra do atual governo. Prestou um desserviço ao país e pautou o final da campanha da direita quando se colocou contra o aborto e, por fim, angariou vinte milhões de votos das mais variadas correntes.
Findo o primeiro turno teve seus objetivos pessoais alcançados. Tornou-se conhecida nacionalmente, plantou a idéia de que é uma liderança nacional ascendente e uma alternativa viável. Não precisa mais do partido pelego e hoje declarou uma posição de neutralidade no segundo turno.
Covardia. Uma pretensa líder não pode se furtar uma posição. Seja ela qual for. Afinal, a possibilidade de inserir pontos fundamentais de sua plataforma ao programa dos atuais candidatos não deve e nem pode ser desconsiderada por uma postulante séria.
Se Marina quer esquecer sua biografia e não apoiar Dilma que o faça de maneira clara. Se não tem a intenção de flertar com a direita, que diga isso claramente, ou ainda, se for pregar o voto nulo, que diga o porquê. O pleito ainda não acabou. Esse é o princípio de eleições em dois turnos. Composições responsáveis. Não é admissível uma postura neutra. Isso é oportunismo de quem quer preservar a imagem acima de qualquer proposta política e passa ao largo de ser oposição séria. Posicionamento é o que se espera da escolhida por tantos votantes, de alguém que está na política para somar.
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