Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

DEMOCRACIA CAMUFLADA


Na minha mãe gentil, o Brasil tudo parece calmo, tudo está bem a se crer em notícias de TV. A volta das férias restabeleceu a mesmice da rotina, impôs o cotidiano. Sem medo de ser feliz o homem comum está pronto para responder aos questionários das pesquisas de opinião e aprovar de modo eloqüente o presidente da República e seu governo.

E assim, aos poucos, a classe dirigente vai aplainando o terreno para a democracia de massas. Ardorosos como sempre, petistas já começaram a gritar  pelo terceiro mandado de Luiz Inácio, através da Dilma Rousseff .Mais bolsas família para os pobres, mais lucros para os ricos e tudo se resolve. A classe média já é por natureza domesticada.

Chegamos a um ponto em que tudo é permitido ao governo que aí está, pois foi fortalecido pela reeleição. Além do mais, não temos oposição partidária. As instituições, sem exceções, estão enfraquecidas, desmoralizadas, submissas aos ditames do Executivo. O mesmo se pode dizer das entidades de classe. E quantas vezes não vimos julgamentos políticos nas mais altas instâncias do Poder Judiciário, onde a lei deveria ser aplicada e não a vontade do presidente da República?

Simultaneamente a tudo isso, crescem grupos que passam a deter o monopólio da violência, atributo do Estado, decretando assim sua falência. Quem ainda acredita que o MST é um movimento social pacífico em busca da reforma agrária? E quem duvida que facções criminosas, especialmente no Rio de Janeiro, criaram um Estado dentro do Estado, com mais força e organização que esse?

Diante da situação de anomia que vai se adensando sob a complacência ou mesmo o estímulo governamental, impressiona a ausência de reação popular.

Aqui a pasmaceira se confunde com a ignorância de uns e a esperteza de outros. Caras-pintadas são coisas do passado. Movimentos cívicos inexistem. E na hora do voto consagram-se mensaleiros, sanguessugas e outros tipos de larápios. Entretanto, existe um Brasil submerso onde a insatisfação ou mesmo a repulsa ao atual estado de coisas é latente, difusa, mas real.

A questão é que os habitantes de minha pátria amada  se encontram pulverizados, individualizados, isolados uns dos outros. Não conseguem se conectar em um movimento coerente, organizado, disciplinado, pois não existem partidos políticos que canalizem os protestos, nem instituições que dêem cobertura legal à indignação e, sobretudo, não temos lideranças que aglutinem as aspirações.

Neste cenário, onde avança o autoritarismo camuflado de democracia, a maioria nada percebe, com nada se importa. Mas se os ventos ditatoriais da obsoleta esquerda latino-americana, que sopram sobre o Brasil, se transformarem em tornados, não será mais possível conter o desastre.

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