Substantivo feminino. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma ação vergonhosa.

Sou uma mulher que não escreve para agradar. Escrevo o que considero correto porque ouço gemidos. São os gemidos dos pobres, dos excluídos de toda sorte que ecoam em meio à indiferença e à insensibilidade da sociedade e das autoridades constituídas que têm a responsabilidade de servir ao bem comum.

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

Léa Miranda Acácio. Muito prazer!

ACABOU-SE A PUNIÇÃO MAS A IMPUNIDADE CONTINUA.

Favorecido por benefícios legais que agora garantem a redução da pena a todos os condenados, seja qual for o crime cometido, o goiano Admar Jesus da Silva foi solto em dezembro do presídio da Papuda, em Brasília. Julgado em 2005 por atentado violento ao pudor e sentenciado a 15 anos de cadeia, ficou cinco na cela e voltou às ruas aos 40.

Para devolver-lhe o direito de ir e vir, o juiz e o promotor público ignoraram um laudo de agosto passado que recomendava o “isolamento” de Admar de Jesus, qualificado de “psicopata perigoso”. Segundo o magistrado, Admar tinha “autodisciplina” e “senso de responsabilidade” suficientes para merecer o abrandamento do castigo.

O parecer do doutor foi implodido na semana seguinte, quando Diego Alves Rodrigues, 13 anos, foi morto a pauladas pelo assassino em liberdade condicional. Entre 4 e 23 de janeiro, outros cinco garotos de Luziânia conheceram o mesmo destino. Capturado neste fim de semana, Admar de Jesus aguardará na cadeia a próxima libertação, autorizada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Ali nasceu a ideia de apressar a soltura dos condenados por crimes hediondos.

Acusado de ignorar o princípio da igualdade por jamais engaiolar delinquentes da classe executiva, o Judiciário parece resolvido a mostrar que todos são iguais perante a lei com a generalização da indulgência. Em vez de acabar com a impunidade, começou a acabar com a punição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário